quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os hipermercados e os supermercados estão perdendo espaço.

Em recente pesquisa chamada Relatório Anual, da revista Supermercado Moderno, foi constatado que o número das lojas de maior porte, hipermercado e supermercado, está diminuindo, enquanto a quantidade de lojas pequenas, atacarejo e lojas de vizinhança, está crescendo.


Entre 2007 e 2008, o número de lojas de vizinhança foi a que mais cresceu em termos absoluto (446) e em percentual (134%) e foi seguido pelo atacarejo que teve 107 lojas inauguradas e apresentou crescimento de 119%.


Em 2008 foram fechados 166 supermercados, os quais têm 75% do tamanho de um hipermercado (7.083 m²).

A tendência de diminuição do tamanho das lojas é clara quando se avalia as 3 maiores redes do Brasil, Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart, as quais diminuíram 6,4% o tamanho médio das lojas quando consideradas todas as lojas de cada grupo.

Fatores que explicam a tendência de diminuir o tamanho das lojas segundo o coordenador da pesquisa da revista Supermercado Moderno, Valdir Orsetti:
  1. Ascensão social das classes de menor poder aquisitivo que agora tem mais crédito e renda. Deste modo as pessoas querem fazer compras perto de casa e gastar o tempo livre para o lazer;
  2. A estabilidade da moeda leva as pessoas a fazerem compras menores e a irem ao supermercado mais vezes por mês, o que é diferente da década de 80 e início dos anos 90, época de inflação galopante e os preços mudavam diariamente;
  3. O envelhecimento da população brasileira é outro fator, já que por razões físicas, os consumidores têm menor disposição de percorrer grandes lojas e acabam optando por lojas menores e próximas às suas residências.

As lojas de atacarejo e de vizinhança estão em maior número na região sudeste, com 49% e 60% de concentração, respectivamente.

Um fator para essa concentração de lojas de vizinhança na região Sudeste é que as pessoas têm menos tempo disponível e fazem suas compras em pequenas quantidades, do tipo, o está faltando?.

Duas explicações para a região norte e nordeste apresentar 37% das lojas de vizinhança é a renda menor, impossibilitando os consumidores fazerem compras em grande quantidade, e também à distância para chegar aos grandes centros.
De acordo com Valdir Orsetti, da revista Supermercado Moderno há dois impactos dessa mudança de comportamento:
  1. As grandes indústrias vão ter que negociar com um maior número de compradores que irão comprar menores lotes;
  2. A logística sofrerá modificações já que entregar em lojas grandes ou até mesmo nos centros de distribuição das grandes redes é diferente de entregar para lojas pequenas, sem estoques grandes e com menores e menos gôndolas. 
Segundo, Almir, o dono deste blog, as indústrias terão que trabalhar com mais informações para fazer o gerenciamento de categoria de produto por grupo de cliente. Haverá necessidade de categorizá-los por tamanho, localização, renda da vizinhança e hábitos de compras dos consumidores locais, adequando assim o mix de produtos, devido ao menor número e tamanho das gôndolas.
Só para lembrar e informar:


O Varejo de alimentos cresceu 8,4% em 2009, chegando a R$ 181,2 bilhões, enquanto o PIB do Brasil caiu -0,2%, o que demonstra o grande potencial de crescimento desse varejo.

A receita do varejo de alimentos cresceu mais de 12% neste primeiro trimestre.

Notícia do jornal O Estado de São Paulo de 23 de abril de 2010 do caderno de Economia & Negócios, com o título: “Supermercados começam a ‘encolher’ no País.”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário